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Entre os dias 7 e 9 de novembro aconteceu a 2ª edição do TOM-SP, que tem como desafio oferecer soluções tecnológicas para autonomia e qualidade de vida a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

O evento é promovido pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo e reuniu alunos, professores e pesquisadores de colégios, escolas técnicas, faculdades, universidades e centros de pesquisa de todo o Estado de São Paulo. Os projetos apresentados são voltados a pessoas com vários os tipos de deficiência: física, visual, auditiva, intelectual ou múltipla.
A experiência deste ano espera repetir o sucesso da edição de 2014 quando aproximadamente 120 participantes se reuniram na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, tiveram cinco semanas para criar protótipos e 48 horas para desenvolver e testar as soluções criadas.
A GTE/Fundação Vanzolini acompanhou e registrou em vídeo o funcionamento dos protótipos.
O Projeto AnnuitWalk, que criou óculos que detectam obstáculos para deficientes físicos desenvolvidos por Marcos Antônio Oliveira e Emily Schuler, foi um dos selecionados na edição passada. A seguir, leia alguns trechos da entrevista que Marcos Antônio de Oliveira deu ao site da GTE:

O que motivou o desenvolvimento do Project Annuit Walk (PAW)?

Como sou apaixonado por tecnologia desde pequeno, minha curiosidade para fazer novas tecnologias parece que já veio de berço. Quando comecei a estudar me encantei com a área de Wearable Computers, ou seja, tecnologias vestíveis, que conta com esses novos devices que estão entrando no mercado, como smart watches, smart glasses etc. Então eu fundei um grupo de pesquisa, chamado “Weart it”, só para me aprofundar junto com outros colegas nessa área. Em meio a isso, comecei a ver que essas tecnologias vestíveis poderiam ajudar muito se adaptadas a tecnologias assistivas para auxiliar deficientes. Segundo os dados do IBGE, vimos que a deficiência visual tem os maiores índices no país e assim vimos que seria algo importante focar em um projeto para deficientes visuais. Assim, começamos a pensar em algo para eles. Para isso, entramos em contato com instituições de cegos para ver realmente o que seria um device que suprisse suas necessidades e melhorasse sua qualidade de vida. E foi assim que nasceu o Annuitwalk, que são óculos inteligentes com detecção de obstáculos na parte superior do corpo!

Como o Annuit Walk funciona? Quais são as soluções oferecidas?

O AnnuitWalk funciona por meio de sensores de ultrassom, que medem a distância do obstáculo à frente e por meio de acessórios vestíveis (como pulseiras, colares, pins), que avisam ao usuário à medida que o obstáculo se aproxima, por meio de vibração. Assim, o Annuitwalk funciona complementarmente à bengala guia, uma vez que os deficientes visuais afirmaram não querer algo que substituísse a bengala, mas sim algo que cobrisse a parte superior do corpo. Além disso, o AnnuitWalk também possui um aplicativo que basicamente funciona como um GPS, fazendo recomendações de rotas e avisando rotas mais seguras, isto é, com menos obstáculos para o deficiente visual.

Qual é o diferencial deste projeto dos demais existentes e que utilizam tecnologias assistivas?

O diferencial do nosso projeto é que utilizamos o saber de Wearable Computers para apresentar uma tecnologia assistiva mais inteligente, confortável e bonita também. Não é apenas uma tecnologia assistiva, é uma tecnologia assistiva vestível; são óculos. Também nos concentramos muito na questão do preço, pois queríamos fazer algo realmente acessível, uma vez que a maioria das tecnologias assistivas que já estão no mercado é muito cara. Por exemplo, uma bengala guia eletrônica chega ao Brasil em torno dos 4 mil reais. Já o AnnuitWalk deverá custar por volta dos 100 reais.

Qual foi a importância de participarem do TOM-SP 2014 para o desenvolvimento do projeto?

O TOM-SP 2014 foi um marco para nós. Foi incrível conhecer outros projetos focados na acessibilidade, com grandes ideias inspiradoras. Juntos, podemos traçar novas ideias e trazer novos rumos também para o AnnuitWalk. Foi um evento inspirador, que com certeza nos motivou bastante para continuar lutando para tornar o AnnuitWalk realidade.

O PAW foi finalista em uma série de prêmios e venceu recentemente o Youth Award 2014/15, premiação chancelada pela ONU. Qual é a importância de tamanho reconhecimento?

Para nós, o reconhecimento que recebemos foi algo que até agora não temos palavras para descrever. Em meio a tantos projetos ótimos, ser escolhido como Campeão Global foi um reconhecimento sem igual. Para o AnnuitWalk está sendo muito bom, pois estamos ganhando muita visibilidade, o que faz as pessoas parar para pensar no problema que estamos tentando solucionar e também querer ajudar. Todo comentário, like ou abraço é muito motivador para nós. Somos muito gratos por todo esse reconhecimento e estamos na luta para fazer o AnnuitWalk se tornar realidade.

Quais são os desafios atuais no desenvolvimento do projeto?

Bem, no momento estamos em contato com investidores e possíveis parcerias. Queremos que nosso protótipo se torne um produto fabricado, para que possa entrar no mercado. Esse processo de transformação de protótipo em produto é um desafio, uma vez que envolve muitos fatores. Mas estamos correndo atrás!

Qual é a expectativa de impacto social do PAW?

É impressionante a quantidade de pessoas que chegam nos perguntando onde podem comprar o AnnuitWalk, pois precisam dele ou têm um familiar que precisa. Então o impacto social é grande, uma vez que irá mexer com a qualidade de vida. Os deficientes visuais poderão se locomover com mais segurança e ter uma experiência de cidade mais acessível a todos. E isso é demais!

O TOM-SP 2015 acontece de 7 a 9 de novembro, no Immensità – Espaço de Eventos – Av. Luiz Dumont Villares, 392 – Santana – São Paulo.