“Pai, como pessoas cegas podem ler?”

A inquietação de Shubham Banerjee, um menino norte-americano de apenas 12 anos, fez com que ele devorasse o tema na internet e descobrisse que existem impressoras em braile, mas com o custo elevado de cerca de 2 mil dólares nos Estados Unidos e de 3 mil dólares aqui no Brasil.

Ele ficou preocupado com a quantia, já que nem todos os 35 milhões de cegos no mundo poderiam pagá-la, e pensou como poderia criar um equipamento acessível para ajudar essas pessoas. Foi assim que Shubham se tornou um “maker”, talvez o mais novo do mundo e o primeiro a criar uma impressora em braile que custasse menos de 300 dólares, usando peças de Lego e pilhas.

A filosofia Maker, também conhecida como o “faça você mesmo”, tem ganhado força no Brasil. “A tecnologia deveria nos ajudar a ter uma vida mais fácil e não se tornar um problema por conta de seu alto custo”, explica Shubham Banerjee, agora com 13 anos, em sua apresentação na 8ª edição da Campus Party, que aconteceu de 3 a 8 de fevereiro, na Expo Imigrantes.

Foi também na Campus Party que a Fundação Vanzolini realizou um debate sobre como a filosofia Maker pode estar associada à tecnologia assistiva para ajudar pessoas com deficiência a se incluírem socialmente e viverem uma vida mais independente. O evento aconteceu no dia 6 de fevereiro, no Palco Saturno, e foi transmitido, ao vivo, pelo site da GTE.

“No caso da pessoa com deficiência, a tecnologia possui um papel fundamental, pois não apenas facilita, mas representa o único recurso que torna possível o acesso a bens e serviços, à vida em sociedade, ao exercício de seus direitos, enfim, à cidadania”, garante Cid Torquato, secretário adjunto da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo. Ele foi um dos participantes do debate, junto com os professores da Escola Politécnica da USP Eduardo Zancul e André Fleury.

A tecnologia assistiva esteve presente não só no debate da Fundação Vanzolini e na apresentação do menino “maker” Shubham Banerjee, o tema tem sido motivo de reflexão no mundo inteiro.